Sobre Mim (Ou Sobre a Malcriada)
O Meu Manifesto: Porque a alternativa era a prisão.
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A Malcriada nasceu num belíssimo dia de merda.
Atrás desta loja não está uma "equipa jovem e dinâmica" com matraquilhos no escritório e um departamento de marketing. Está uma adulta exausta de 30+ anos (que interiormente ainda jura ser uma adolescente, mas já com dores na lombar e contas para pagar).
Imagina o meu cenário: teletrabalho. Duas crianças pequenas em casa. Uma bebé de 12 meses a tentar engolir um comando de televisão enquanto o meu chefe agenda a terceira reunião do dia para "alinhar sinergias" (uma reunião que, claramente, podia ter sido um e-mail de duas linhas). No meio do caos, o outro adulto da casa grita do outro lado a perguntar se tem meias lavadas. A minha cabeça a entrar em burnout e uma vontade genuína, visceral e incontrolável de mandar tudo à merda exatamente dez vezes por hora.
Foi aí que percebi: a sanidade mental na era moderna é uma ilusão. E os objetos que usamos no dia a dia são demasiado aborrecidos para lidar com isto.
Não estou aqui para socializar. Se eu fosse obrigada a ir ao jantar de Natal da empresa, estaria num canto isolada da sala, com o maior copo de vinho que encontrasse, a revirar os olhos a cada comentário da chefia e a julgar a roupa de toda a gente. Tudo menos fazer networking.
O meu cliente ideal não quer "gratidão". O meu cliente ideal tem sentido de humor — de preferência muito dark —, leva a vida em segundo grau e sabe perfeitamente que, às vezes, a única coisa que impede um colapso nervoso no meio de um e-mail corporativo é a capacidade de soltar um FODA-SE bem alto. Ou, no meu caso, ler um "CALMA, CARALHO!" estampado numa caneca enquanto finge que está a ouvir os outros no Teams.
Crio peças de sobrevivência quotidiana. Acessórios com atitude, embrulhados em sarcasmo elegante, desenhados especificamente para mães exaustas, profissionais à beira do colapso e qualquer ser humano que já não tenha paciência para a estupidez alheia antes do primeiro café.
Coloca a tua caneca na secretária, atira o teu saco para o ombro. Respira fundo. E deixa que a Malcriada fale por ti.